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19/08/2016

As cartas do Tarô e seus significados: O Louco.

(arte de Qissus)

Esse é o segundo post da série sobre tarôs, leia a primeira: Tarô: um primeiro contato com as cartas.

No Tarô, a carta do  Louco é a carta nº 0, como a carta do Coringa. Até a caracterização que é feita dele na maioria dos baralhos é parecida com a do Coringa, do bobo da corte. Também conhecido como o arcano sem número, ele faz parte do conjunto dos 22 Arcanos Maiores do Tarô de Marselha.

O Zero é um número muito simbólico para se atribuir ao Louco. É um número que representa o infinito, algo que pode estar no começo ou no fim, nunca se sabe. E é interessante que justamente por isso- e por essa carta ser a única dos Arcanos Maiores sem numeração, ela pode ser colocada tanto como a primeira quanto como a última carta desse conjunto, ser a 0 ou a 22, pode representar o início ou o fim.

(representações d'O Louco)

Parando para pensar um pouco sobre isso, percebi que nunca pensei no Louco como alguém que está no fim de algo, seja lá o que esse algo representar. Embora ele pareça vagar errante, com o olhar perdido cuja distração ou resignação fazem deixar pra lá até o aviso do animal que o machuca (e que também pode falar sobre aquilo que a gente tem de mais instintivo) porque quer livrá-lo do perigo que está diante de seus olhos, esse arcano para mim fala sempre de busca, de autoconhecimento, de um caminho ainda por ser trilhado. Fala também do nosso lado mais aventureiro, impulsivo. Do desejo de ser livre, de se libertar das convenções, de tudo que nos é imposto pela sociedade. Daquela pessoa que se agarra ao que é mais importante, sua trouxa, e abandona o resto, deixa tudo pra trás. Fala também que às vezes é preciso se arriscar mais, se permitir, ser mais livre e, porque não, intuitiva! No Tarô Mitológico, por curiosidade, o Louco é representado por um jovem vestido com peles de animais, com aspecto primitivo. Numa representação do mito do deus Dionísio, esse jovem também fala dos impulsos, dos desejos de mudança, sobre ter mais coragem pra enfrentar a vida.

O que essa carta quer dizer no seu jogo vai depender, claro, da questão colocada, da posição em que ela se encontra e do conjunto de cartas que sai próximo a ela. Entre os significados mais comuns relacionados com a figura do Louco estão a decadência, o abandono ou o não fazer. Momento de pausa, momento de não decidir ou incapacidade de tomar decisões; irresponsabilidade, julgamento incerto, decisões precipitadas que causam problemas - aquele impulso que nos leva direto pro abismo ou as atitudes que nos impedem de sair do fundo do poço. Em relação à saúde, pode representar também negligência, abuso de alimentos ou substâncias que podem ser prejudiciais ao corpo, transtornos psiquiátricos, inflamações, problemas neurológicos.

Há algo mais que você queira saber ou algo que queira acrescentar sobre a carta do Louco? Conta pra gente nos comentários! :)


09/07/2016

Tarô: um primeiro contato com as cartas.

(arte de Sophie Bryant-Funnell)

Oráculos costumam fazem parte do cotidiano das bruxas, seja ele qual for. No meu caminho como bruxa que teve que esconder suas práticas durante muito tempo, eles foram fonte de autoconhecimento, força interior e esperança. E o Tarô é um oráculo particularmente especial pra mim. Muito mais que um simples jogo de baralho, suas cartas podem mostrar os fatos por um viés que desconhecemos, indicar caminhos, possibilidades e ajudar na solução de problemas - inclusive questões simples do dia a dia.
Iniciamos aqui uma série de postagens sobre Tarô que espero ser de ajuda pra quem está começando ou quer começar seus estudos sobre esse oráculo.

Começando do começo: Tarô ou Baralho Cigano?
Existem diversos tipos de baralhos com os mais diferentes nomes e finalidades (Tarô do Amor, Tarô dos Anjos, Egípcio…). A maioria deles é inspirada no Tarô de Marselha, o jogo clássico de 78 cartas divididas entre arcanos maiores e menores - que no Brasil só perde em popularidade, eu acho, para o Baralho Cigano (também conhecido como Tarô Cigano, inspirado no Petit Lenormand e que é formado por 36 cartas com ilustrações inspiradas em imagens cotidianas, com numeração e simbologia próprios). Ainda se utiliza bastante também o baralho comum, usado em jogos de carteado como truco e buraco, no qual geralmente são feitas equivalências e adaptações baseadas no tarô de Marselha.

06/03/2016

O Tarô do Gueto ou O Tarô Haitiano - The Ghetto Tarot.

(O Louco)

"The Ghetto Tarot" é uma interpretação fotográfica do baralho de tarô tradicional no gueto haitiano. As cenas são inspiradas no baralho de Rider Waite (originalmente criado em 1909 pela artista Pamela Colman Smith) e são replicadas em conjunto com um grupo de artistas haitianos chamado Atis Rezistans (artistas resistentes) nas favelas haitianas, utilizando apenas materiais que eles foram capazes de encontrar ou criar localmente. Em várias cartas Atis Rezistans usa a arte pessoal, que inclui o simbolismo da religião vodu para encarnar o importante significado das cartas originais.
Esse projeto foi financiado pela internet, e ultrapassou a arrecadação inicial, juntando ao final mais de 50 mil euros.

The Guetto Tarot foi idealizado pela fotógrafa Alice Smeets, ela disse:
"Por um longo tempo, eu queria interpretar o baralho de tarô através das minhas fotos, mas tirar fotos comuns das cenas parecia muito simples. O meu objetivo era criar uma plataforma muito pessoal sem perder os diferentes espíritos das cartas. Então, a ideia entrou na minha mente para combinar três das minhas paixões: o mundo espiritual, a cultura e as pessoas do Haiti, bem como as reflexões filosóficas sobre as dualidades em nosso mundo; neste caso, ricos e pobres.
Então, tirar as fotos do tarô no gueto da capital Port-au-Prince, no Haiti, foi a escolha óbvia para criar uma plataforma muito pessoal: afastando-se das imagens estereotipadas de pobreza, ilustrando os espíritos e significados das cartas com um toque de humor no meio da favela e mostrando as pessoas de cor, pela primeira vez, nas antigas cartas tradicionais europeias para quebrar estereótipos."

ATIS REZISTANS 


Todos os artistas do grupo Atis Rezistans cresceram no centro de Port-au-Prince, em uma atmosfera de reciclagem para sobreviver e esforços artísticos. Suas poderosas colagens esculturais usando motores, aparelhos de TV, calotas das rodas e madeiras descartadas tem transformado os detritos de uma economia decadente em esculturas pesadas, radicais e deformadas propositalmente.
Tendo conhecido o grupo de artistas Atiz Rezistans por um longo tempo, eles imediatamente entraram a bordo para criar o convés The Ghetto Tarot juntos. Sendo muito espiritual e trabalhando muito com o simbolismo voodoo, que adentrou imediatamente nos espíritos das cartas.
Atis Rezistans foram muito ágeis para encontrar os materiais necessários e muitas vezes criando-os no local, como a lanterna para O Eremita, que foi criado a partir de um metal velho, como também o gato preto para a Rainha de Paus e os animais na Lua que foram feitos a partir de pneus de carros usados​​.

(O Mago)

Por que o nome Ghetto Tarot?

De acordo com a definição comum, gueto é uma parte da cidade em que os membros de um grupo minoritário vivem, especialmente por causa da pressão social, jurídico ou econômico. O termo foi originalmente usado em Veneza para descrever a parte da cidade onde os judeus eram segregados. No Brasil, algo que se assemelha a um gueto são as favelas, que possuem em sua maioria moradores negros e pobres.

Hoje, uma definição comumente usada para a palavra gueto (especialmente nos Estados Unidos) são as comunidades que se distinguem por uma raça homogênea ou etnia. Além disso, uma característica fundamental que continua a simbolizar a demografia dos guetos americanos é a prevalência da pobreza.
O povo haitiano há muito aprovou a palavra gueto em sua própria língua e a usam para nomear os bairros mais pobres das suas cidades.
Nossa ideia por trás da escolha do termo "gueto" como um nome para o projeto, é provocar uma discussão em torno do tema, para que as pessoas questionem suas próprias suposições sobre o que o gueto é realmente, e para mudar a conotação muitas vezes negativa que a palavra implica em nossa cultura. O nome do Ghetto Tarot é inspirado no "Ghetto Bienal", que é um convite de Atis Rezistans para artistas visitantes ocidentais e não-ocidentais para vir ao Haiti e criar arte em colaboração com eles para produzir um show no final. Atis Rezistans utilizam lixo para criar arte com as suas próprias visões, que são um reflexo da beleza que veem escondida dentro do lixo.

Nossa intenção não é uma glorificação da vida no gueto, mas para caracterizar o Gueto do Haiti e da pobreza em geral, em uma outra luz. Tenho observado uma ou outra vez em que aqueles que o mundo chama de "os pobres", estão cheios de força, cheios de vida, alegria e criatividade. Eu acredito que precisamos de mais pessoas neste mundo para começar a olhar para eles de outra maneira e parar de vê-los como vítimas de uma situação deserta e sem esperança. Uma consequência desejável desta situação imaginada é uma reintegração da auto-confiança perdida em suas próprias ideias originais.

Desde gerações, haitianos tem testemunhado pessoas dizendo-lhes que eles são pobres e que eles precisam de "soluções" ocidentais para seus problemas.
Nosso objetivo é destacar a criatividade e força dos cidadãos do Ghetto e estamos certos de que dentro deles estabelece um tesouro de ideias inovadoras para dissolver o círculo de dependência e de vitimização, que irá romper se o mundo começa a olhar para as suas competências e capacidades, em vez de suas deficiências. 

Rezistans Atis estão reivindicando a palavra "Ghetto", libertar-se do seu tom de depreciação e transformá-lo em algo bonito. Seu ato de apropriar-se uma palavra carregada de sentimentos desfavoráveis, alterando seu significado é um ato de inspiração. Este compromisso dos haitianos me fez perceber que ela está somente dentro de nós para atribuir valor ou julgamento no sentido de uma coisa tangível ou intangível, o que cria uma emoção positiva ou negativa. Se percebemos que podemos escolher, se olharmos para a destruição e ver o desespero ou se nós escolhermos para ver o começo de algo novo, podemos mudar o significado de cada palavra, ação e emoção. Isso é algo que aprendi com os artistas haitianos e estamos compartilhando-o junto com o mundo através do Ghetto Tarot.

E não é o confronto dos nossos sentimentos e emoções que o tarô nos traz?


(A Sacerdotisa)

(2 de espadas)

(3 de espadas)

(3 de paus)

(4 de espadas)

(5 de copas)

(6 de copas)

(A Justiça)

(8 de copas)

(8 de espadas)

(9 de copas)

(9 de espadas)

(O Eremita)

(O Enforcado)

(A Morte)

(A Estrela)

(O Sol)

(dama de paus)

(rei de espadas)

(seis de paus)


(às de espadas)

(às de paus)








29/02/2016

Feitiço para se livrar de uma lembrança indesejável.


Todas as experiências e lembranças que temos são úteis e nos servem para a evolução pessoal. Mesmo as experiências mais dolorosas e as derrotas nos tornam mais fortes, porém há lembranças que nos causam dor mesmo depois de anos, traumas que insistem em machucar. Esse feitiço serve para diminuir a dor de uma lembrança indesejável.
Eu mesma tenho lembranças horríveis, e muitas vezes acordo com o coração pulando ao sonhar que aquela experiência se repetia. Nem todas as dores são úteis para o nosso crescimento.

Pegue um baralho de tarô e escolha o Valete de Espadas e A Morte. Coloque as duas cartas na mesa ou no chão. Pegue o Valete de Espadas e sussurre para ela toda a sua dor, toda a memória que deseja não doer mais em seu peito. Pode se abrir à vontade, chorar, e quando sentir que sua dor passou para o Valete de Espadas, pegue A Morte e coloque-a em cima da primeira carta, entregando sua dor nas garras da morte para nunca mais voltar.
Está feito.
Faça isso sempre que não suportar a dor de uma lembrança ruim.


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