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22/06/2016

Eu Sou uma Mulher.

(arte de IoMoel)

Poema maravilhoso sobre a menstruação, escrito por Marina Colasanti.

Eu sou uma mulher
que sempre achou bonito
menstruar.

Os homens vertem sangue
por doença
sangria
ou por punhal cravado,
rubra urgência
a estancar
trancar
no escuro emaranhado
das artérias.

Em nós
o sangue aflora
como fonte
no côncavo do corpo
olho-d'água escarlate
encharcado cetim
que escorre
em fio.
Nosso sangue se dá
de mão beijada
se entrega ao tempo
como chuva ou vento.

O sangue masculino
tinge as armas e
o mar
empapa o chão
dos campos de batalha
respinga nas bandeiras
mancha a história.

O nosso vai colhido
em brancos panos
escorre sobre as coxas
benze o leito
manso sangrar sem grito
que anuncia
a ciranda da fêmea.
Eu sou uma mulher
que sempre achou bonito
menstruar.
Pois há um sangue
que corre para a Morte.
E o nosso
que se entrega para a Lua.

COLASANTI, Marina. Rota de colisão. Rio de Janeiro, 1993


01/12/2015

[Biblioteca da Bruxa] A Ciranda das Mulheres Sábias, de Clarissa Pinkola Estés.




Devo começar agradecendo à minha sogra, que é bruxa, pela estante maravilhosa de livros que ela possui. Nada se compara a navegar pelas páginas, devorando cada parágrafo. Obrigada por compartilhar seus livros comigo ♥.

Começarei a sessão Biblioteca da Bruxa, falando sobre esse maravilhoso livro "A Ciranda das Mulheres Sábias", escrito pela poetisa e psicanalista Clarissa Pinkola Estés (EUA, 1945), autora de outro livro que falarei no blog, chamado "As Mulheres que Correm com Os Lobos" (1996).
Esse livro foi publicado no Brasil pela editora Rocco, em 2007. É curtinho, tem apenas 128 páginas, é uma leitura super gostosa, terminei de lê-lo em um dia!

O livro fala sobre as avós e o matriarcado que exala das mulheres mais velhas para as mais novas, como fonte de experiência e muita admiração, sobre mulheres que já viveram muito e sobre as mulheres que viveram pouco. Sobretudo, sobre "ser jovem enquanto velha, e velha enquanto jovem".

Clarissa, já com sessenta anos de idade, homenageia as mulheres de sua família e também as mulheres de todo o mundo, que acumularam sabedoria ao longo de sua vivência. As mulheres que conhecem a face da Deusa Anciã.

São histórias escritas de modo delicado e espirituoso, que nos faz lembrar de que dentro de toda moça jovem, há a anciã, e que dentro de toda senhora há a donzela.

Eu li em uma tarde chuvosa, com um café na mão, deitada entre as cobertas, e é essa a sensação boa que dá ao ler o livro, uma tarde confortável ouvindo histórias de avós e do feminino.



“ ‘Quando uma pessoa vive de verdade, todos os outros também vivem’. Esse é o principal imperativo da mulher sábia. Viver para que os outros também se inspirem. Viver do nosso próprio jeito vibrante para que os outros aprendam conosco.” (p. 14)


 Esse é o Dante, querendo brincar com o livro



~
Você já leu esse livro? Recomenda outro? Comente abaixo ^^

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