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29/06/2016

Resistimos!

(arte de Renata Nolasco)

Toda árvore possui por baixo da terra uma versão primeva de si mesma. Por baixo da terra, a árvore venerável abriga "uma árvore oculta", feita de raízes vitais constantemente nutridas por águas invisíveis. A partir dessas radículas, a alma oculta da árvore empurra a energia para cima, para que sua natureza mais verdadeira, audaz e sábia viceje a céu aberto. 
O mesmo acontece com a vida de uma mulher. Como a árvore, não importa em que condições ela esteja acima da terra, exuberante ou sujeita a enorme esforço... por baixo da terra existe "uma mulher oculta" que cuida do estopim dourado, aquela energia brilhante, aquela fonte profunda que nunca será extinta. "A mulher oculta" está sempre procurando empurrar esse espírito essencial em busca da vida... para cima, para que atravesse o solo cego e consiga nutrir seu eu a céu aberto e o mundo ao seu alcance. 
Seus períodos de expansão e reinvenção dependem desse ciclo. Você já amou uma árvore? Se amou uma floresta ou uma árvore, sabe que existem árvores que, apesar de tudo o que tenha dado errado, conseguem enganar a todos — e sobrevivem para contar e ensinar sobre seu admirável retorno à vida. É mais uma vez o estopim dourado.
Conheci muitas dessas árvores vigorosas nos bosques do norte onde passei a infância. Contudo, naquela época, como ocorre com frequência na vida das mulheres também, as grandes árvores eram repetidamente expostas a riscos por conta de rápidos esquemas de  incorporação imobiliária. Em vez de ver a terra como um corpo vivo e construir em harmonia com suas curvas de nível, empreendimentos inteiros eram dispostos sobre o terreno, forçando-o a se adequar a ideias que não eram da sua criação.
Foi assim que muita terra fértil e cultivável ficou soterrada debaixo de cubículos de casas idênticas, tanto que os morros e patamares da terra pareciam blindados como as escamas sobrepostas ao longo da espinha de um dragão. As praias foram transformadas em concreto; e trilhas verdejantes foram asfaltadas até praticamente não restar um trecho de verde sequer. Nesse ambiente, as árvores, tanto as velhas quanto as novas, eram ameaçadas diariamente pela poluição, pela invasão do seu espaço, por alterações no lençol freático e, em consequência, pelo desequilíbrio dos nutrientes essenciais que extraíam do solo.

Uma dessas árvores ameaçadas que conheci era uma enorme avó, um choupo. Essa árvore específica tinha sobrevivido por vários séculos a todo tipo de intempérie, inundação, congelamento e a todas as criaturas que tentaram corroê-la. Ela era o que nós chamávamos de "árvore da nevasca no verão" porque lançava suas sementes diminutas presas a uma reluzente penugem branca. Elas voavam e flutuavam nos ventos quentes da primavera, gerando uma tempestade de neve fina e transparente. Seria um equívoco imaginar que, por lançar suas sementes em saias cheias de babados, ela fosse frágil. Ela não era. Era uma guerreira. Um dia, porém, mesmo depois de provar seu valor nas batalhas que nunca buscava, mas que vinham confrontá-la diretamente repetidas vezes, e embora continuasse resistindo, ereta e majestosa... bem, um dia ela foi "descoberta" por um grupo de gente armada de serras de arco e machados. E então, ao longo de algumas semanas terríveis — pois tamanha era sua circunferência, tão profundos eram seu coração e sua força —, sem nenhuma cerimônia, ela foi picada e derrubada.


17/05/2016

Sagrado Feminino


Algumas mulheres em todo o mundo se orgulham tanto de sua condição que seguem uma filosofia de vida chamada "Sagrado Feminino". Esse estilo de vida - que vem sendo adotado pelo público feminino há milênios - oferece ensinamentos sobre nosso corpo, nosso emocional e nossos ciclos femininos, e ainda orienta de que forma podemos harmonizá-los com a natureza.

Isso significa que quando as mulheres passam a se desligar um pouco do mundo tecnológico e rotineiro, ou seja, buscam descobrir mais sobre si próprias, se interiorizando, percebendo melhor seus instintos, suas vontades e seus ciclos femininos (como a menstruação e a gestação), elas relatam que o mundo a sua volta - e aquele que existe dentro delas - parece mudar. É como se uma nova consciência as abraçasse.

Sagrado Feminino é um resgate e ao mesmo tempo uma reorientação de uma sabedoria natural e antiga que reintegra aos valores do feminino como um todo, no campo social, pessoal, psicológico, religioso, espiritual, cultural, educacional, etc além de um encontro com uma consciência ecologicamente e eticamente correta.

01/12/2015

[Biblioteca da Bruxa] A Ciranda das Mulheres Sábias, de Clarissa Pinkola Estés.




Devo começar agradecendo à minha sogra, que é bruxa, pela estante maravilhosa de livros que ela possui. Nada se compara a navegar pelas páginas, devorando cada parágrafo. Obrigada por compartilhar seus livros comigo ♥.

Começarei a sessão Biblioteca da Bruxa, falando sobre esse maravilhoso livro "A Ciranda das Mulheres Sábias", escrito pela poetisa e psicanalista Clarissa Pinkola Estés (EUA, 1945), autora de outro livro que falarei no blog, chamado "As Mulheres que Correm com Os Lobos" (1996).
Esse livro foi publicado no Brasil pela editora Rocco, em 2007. É curtinho, tem apenas 128 páginas, é uma leitura super gostosa, terminei de lê-lo em um dia!

O livro fala sobre as avós e o matriarcado que exala das mulheres mais velhas para as mais novas, como fonte de experiência e muita admiração, sobre mulheres que já viveram muito e sobre as mulheres que viveram pouco. Sobretudo, sobre "ser jovem enquanto velha, e velha enquanto jovem".

Clarissa, já com sessenta anos de idade, homenageia as mulheres de sua família e também as mulheres de todo o mundo, que acumularam sabedoria ao longo de sua vivência. As mulheres que conhecem a face da Deusa Anciã.

São histórias escritas de modo delicado e espirituoso, que nos faz lembrar de que dentro de toda moça jovem, há a anciã, e que dentro de toda senhora há a donzela.

Eu li em uma tarde chuvosa, com um café na mão, deitada entre as cobertas, e é essa a sensação boa que dá ao ler o livro, uma tarde confortável ouvindo histórias de avós e do feminino.



“ ‘Quando uma pessoa vive de verdade, todos os outros também vivem’. Esse é o principal imperativo da mulher sábia. Viver para que os outros também se inspirem. Viver do nosso próprio jeito vibrante para que os outros aprendam conosco.” (p. 14)


 Esse é o Dante, querendo brincar com o livro



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Você já leu esse livro? Recomenda outro? Comente abaixo ^^

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